Futuro Sustentável da Taesa - TAEE11



A Taesa (TAEE3, TAEE4 e TAEE11) tem tudo para performar bem nos próximos 4 ou 5 anos (ou ainda mais), nada extraordinário como uma MGLU3, mas com retornos que acredito serem consideráveis e com relativa segurança. Aos fatos e fundamentos: i) o endividamento da empresa parece estar alto em um primeiro momento, mas uma análise bem feita nos mostra que uma dívida com juros baixos (low cost of debt), de médio-longo prazo e para financiamento de sua expansão; ii) o lucro líquido aumenta constantemente nos últimos 10 anos, com exceção dos anos de 2016 e 2017 pela redução da “RAP” e pela amortização da dívida em 2017; iii) o CAPEX da companhia tem aumentado nos últimos anos, ou seja, a companhia está reinvestindo no próprio negócio; iv) o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE – return on equity) é constante e relativamente alto (dois dígitos) desde sua abertura de capital.


I – Endividamento


A primeira análise, o endividamento da Taesa parece ser bastante alto (Dívida Líquida/ PL = 0,98 e DL/ EBITDA = 3,72), ocorre que devemos analisar profundamente a estrutura desta dívida e se ela está condizente com a realidade da empresa.




Na estrutura da dívida, observamos um baixo custo da dívida (quanto a empresa paga de juros pelas suas dívidas), aproximadamente 7%, já que está atrelada majoritariamente ao IPCA, depois ao CDI e depois a uma taxa pré-fixada. Ademais, também se percebe ser uma dívida de médio-longo prazo, com prazo médio de 6,1 anos, destes sendo 86,2% de longo prazo.




Além disso, outra questão que não fica evidenciada nos “números frios” dos indicadores é o motivo que a empresa contraiu as dívidas, existe uma enorme diferença entre contrair dívida para apenas manter suas operações e contrair dívida para crescer. No caso da Taesa, a empresa contraiu dívidas “boas”, pois são de médio-longo prazo, com baixo custo em virtude do seu rating “AAAbr” e para investimentos na sua operação (que será detalhado mais a frente no CAPEX).


II – Lucro Líquido


No que tange ao lucro líquido da companhia, temos um cenário bastante parecido com a dívida, visto que os indicadores e as demonstrações contábeis não refletem a realidade da empresa. Um crescimento nos lucros de apenas 2,07% nos últimos 5 anos não reflete os lucros constantes e crescentes da empresa ao longo do tempo, bem como não demonstra o ocorrido em 2016 e 2017 com amortização da dívida e redução de receitas.




Ora, caso adotássemos 7 anos e 10 anos para observar o crescimento dos lucros, o CAGR seria de, respectivamente, 10% e 18,6%. Além disso, podemos ver que os anos de 2016 e 2017 foram de redução nos lucros em virtude da diminuição da “RAP” (receita anual permitida) em 06 concessões da empresa e grande amortização da dívida contraída em 2017.





Portanto, o lucro da companhia se demonstra orgânico e constante nos últimos anos, com perspectiva de se manter ou aumentar. Inclusive, mencione-se que a Taesa, por ser essencialmente uma transmissora, não necessita de fluxo em suas linhas, bastando que a linha esteja disponível para o “tráfego” de energia. Vejamos:




III – CAPEX


O CAPEX (capital expenditure) é o montante que a empresa está reinvestindo em seu próprio negócio, dito isto, observa-se um movimento na Taesa de aumento nos investimentos nos últimos anos, iniciando assim um novo ciclo de investimentos, conforme houve em 2013-2014.



Além disso, a empresa já investiu nos 6M de 2020 cerca de 97% daquilo já investido em 2019, com plano de aumentar ainda mais os investimentos no segundo semestre do ano de 2020, conforme própria Demonstração de Resultados da companhia.




IV – Retorno sobre o PL (ROE)


Finalmente, o ROE da empresa se encontra alto (24,70%) e sempre foi acima de dois dígitos, variando entre 12% e 26%, tal indicador é importante pois diz como os acionistas passados foram remunerados pelos seus investimentos. Veja-se:



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